Procurei-te desarvorado e triste pelas terras distantes em loucas aventuras com os outros, sem conseguir encontrar-te. Aonde chegava a minha ansiedade, deparava-me com as marcas de teus pés no chão. Penetrei-me pelas lâminas da angústia, dilacerando todas as minhas ambições, em vãs tentativas de te encontrar. Exauri-me, sem resultado feliz, e detive-me vencido. Defrontei-me um dia com duas estrelas que se apagavam nos olhos de uma criança abandonada e amei-a. A sua voz sem palavras e a música de sua necessidade fizeram-me encontrar os três: o próximo, a mim e a Ti, ó Soberano Senhor da minha vida. Não cesses de cantar, ó brisa ligeira que passeias pelo vale, nem interrompas o teu curso ó água transparente do regato. Toda musicalidade que embala a natureza, faz-se partitura para que o cantor destrave a sua voz de sua garganta e inunde o mundo de harmonias. POEMA ESPÍRITA - À PROCURA DO AMOR (Rabindranath Tagore)