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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Quem foi?

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Poema declamado por Alberto Almeida durante a palestra “O Amor Fonte de Vida” Quem foi que fez o sol tão vivificador? E sua luz esplandente cheia de fulgor? Os trilhões de estrelas que cintilam nos céus. E as nuvens vaporosas como densos véus? A mecânica celeste e os arcanjos profundos. Da eterna ciência que equilibra os mundos. Os microorganismos em desenvolvimento. E os orbes gigantescos em deferecimento. O átomo e a nebulosa, a ameba e o Serafim. E as origens das coisas que nunca terão fim. A virtude impoluta que não se modifica. E a possante energia que a tudo vivifica. Quem foi que fez o vento, a chuva, o trovão? A primavera, o outono e também o verão? O perfume das flores, o som, a luz, o ar. Os campos, as florestas, a terra, o céu e o mar. Quem foi que fez o infravermelho e o ultravioleta? E fez a lagarta surgir uma bela borboleta? O esperto gafanhoto e o formoso rouxinol. Surgindo a alvorada aos clarões da luz do sol. Quem foi que fez as feras bravas e os pecos passarinhos? A a...

O Buda e o Deva

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O Buda estava um dia no jardim de Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um Deva (espírito da natureza) em figura de brâmane e vestido de hábitos brancos como a neve, e entre ambos se estabeleceu o seguinte "duelo": O Deva: - Qual é a espada mais cortante? Ao que Buda respondeu: - A palavra raivosa é a espada mais cortante. - Qual é o maior veneno? - A inveja é o mais mortal veneno. - Qual é o fogo mais ardente? - A luxúria. - Qual é a noite mais escura? - A ignorância. - Quem obtém a maior recompensa? - Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha. - Quem sofre a maior perda? - Quem recebe de outro sem devolver nada é o que mais perde. - Qual é a armadura mais impenetrável? - A paciência. - Qual é a melhor arma? - A sabedoria. - Qual é o ladrão mais perigoso? - Um mau pensamento é o ladrão mais perigoso. - Qual o tesouro mais precioso? - A virtude. - Quem recusa o melhor que lhe é oferecido neste mundo? - Recusa o melhor que se lhe oferece quem aspira à...

Dois monges e uma mulher: uma Fábula Zen

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Um monge sênior e um monge júnior estavam viajando juntos. Em um determinado momento, eles chegaram a um rio com uma correnteza forte. Enquanto os monges se preparavam para atravessar o rio, viram uma mulher muito jovem e bonita também tentando atravessar. A jovem perguntou se eles poderiam ajudá-la a atravessar para o outro lado. Os dois monges se entreolharam porque haviam feito votos de não tocar em uma mulher. Então, sem dizer uma palavra, o monge mais velho pegou a mulher, carregou-a através do rio, colocou-a gentilmente do outro lado e continuou sua jornada. O monge mais jovem não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Depois de se juntar ao seu companheiro, ele ficou sem palavras, e uma hora se passou sem uma palavra entre eles. Mais duas horas se passaram, depois três, finalmente o monge mais jovem não conseguiu mais se conter e soltou: “Como monges, não somos permitidos a uma mulher, como você pôde então carregar aquela mulher em seus ombros?” O monge mais velho olho...

O Menestrel

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Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segu...

Flor sem identidade

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Sou só uma Florzinha de Mato… mas, sinceramente, nem eu sei mais quem sou. Aqui me chamam de Maria-Sem-Vergonha, lá no sul dizem que sou Beijinho, no norte juram que sou Onze-Horas e teve até um que me chamou de Bálsamo. Eu já estou quase abrindo uma sessão de terapia botânica pra entender minha própria identidade. Cada canto do país me dá um apelido novo... E o mais engraçado: ninguém combina entre si! Enquanto um me arranca achando que sou praga, o outro me planta com carinho na frente de casa, dizendo que trago sorte. Acho que o mundo é assim mesmo, depende de quem olha, de onde olha, e do quanto olha de perto. E sabe o que é mais curioso? Mesmo sem saber quem sou, continuo crescendo. Solta um raio, vem um pisão, passa o cortador… e eu? Volto. Nem por teimosia, é que desistir nunca me caiu bem. De vez em quando, eu olho pras flores de jardim, todas alinhadas, com nome científico, pedigree, adubo de marca… e penso: “Poxa, eu só queria um RG botânico ...

Os Ipês no Inverno

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Quando Deus estava preparando o mundo, se reuniu em uma tarde com todas as árvores. Ele pediu para que cada árvore escolhesse que época gostaria de​​ florescer​​ e embelezar a terra.​​ Foi aquela alegria.​​ Outono, verão, Primavera, diziam! Porém Deus observou que nem uma escolhia a estação do inverno.​​ Então Deus parou a reunião é perguntou:​​ - Por que ninguém escolhe a época do inverno? Cada um tinha sua razão. Muito seco! muito frio!..muita queimada!​​ Então Deus pediu um favor.​​ Eu preciso de pelo menos uma árvore, que embeleze o inverno, que seja corajosa, para enfrentar o frio, a seca e as queimadas e no frio embelezar o mundo... Todos ficaram em silêncio.​​ Foi então que uma árvore quietinha lá no fundo, balançou as folhas e disse:​​ _ Eu vou!... E Deus com um sorriso perguntou: - Qual seu nome minha filha?! Me chamo Ipê, senhor! As outras árvores ficaram espantadas com a coragem do Ipê em querer florecer no inverno. Então Deus respondeu: - Por atender meu pedido farei com qu...

As Velas do Padeiro

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Num vilarejo esquecido pelos grandes mapas, onde o inverno chegava cedo e ficava até quase a primavera, vivia um padeiro chamado Ivo. Ele acordava antes do sol, acendia o forno antigo e, até o amanhecer, já tinha pão quente para todos mesmo para quem não podia pagar. Ninguém sabia muito sobre ele. Diziam que perdera a família anos atrás, num acidente na estrada de neblina. Desde então, falava pouco, sorria ainda menos, mas jamais deixou de deixar um pão à porta de quem precisasse. Na véspera de Natal, uma tempestade de neve fechou as ruas. Quase ninguém saiu de casa. Até Ivo, pela primeira vez em décadas, pensou em não abrir a padaria. Mas, ao acender uma vela no parapeito da janela como fazia todo 24 de dezembro, em memória dos que se foram, viu uma sombra pequena se aproximar. Era uma menina, com roupas finas demais para o frio, segurando a mão de um menino mais novo. Tremiam. A mãe, disse ela, estava doente e não tinham lenha para o fogão. Ivo não disse nada. Apenas entrou, embrulho...

O Presente que Não Cabia na Caixa

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 Na véspera de Natal, em uma cidadezinha envolta em neve fina, vivia um menino chamado Lucas. Ele não tinha muitos brinquedos, roupas quase remendadas e, naquele ano, nem sinal de árvore de Natal em casa. Seu pai estava doente, e sua mãe trabalhava dobrado como costureira para manter o pão na mesa. Mesmo assim, Lucas sorria. Não por ter muito, mas por ver muito. Naquele dia, enquanto caminhava de volta da escola, ele viu uma senhora idosa tropeçar na calçada gelada. Correu para ajudá-la, carregou suas sacolas até sua casa modesta, no fim da rua das Faias. Ela, chamada Dona Elisa, era conhecida por todos como “a mulher que ri sozinha no jardim”. — Você é um anjo, menino — disse ela, com os olhos úmidos. — Só fiz o que qualquer um faria — respondeu Lucas, tímido. Antes de ir embora, Dona Elisa colocou em sua mão um pequeno saquinho de pano. — Espere até amanhã de manhã para abrir. É meu presente de Natal. Na manhã seguinte, Lucas desamarrou o saquinho com cuidado. Dentro, havia... ab...